terça-feira, 1 de agosto de 2006

Artigo

DINHEIRO NÃO FALTA. FALTA CARÁTER!
(Gen Ex José Carlos Leite Filho - linsleite@digizap.com.br - 03/05/06)
(Publicado em "O JORNAL DE HOJE", de 05/05/06)

Já houve tempo em que se acreditava na insuficiência de recursos
públicos como causa da baixa qualidade de vida do brasileiro. Hoje, com os
desmandos que se sucedem e nos são dados a conhecer, continuar com essa boa
fé seria indício de ingenuidade ou idiotice.

Todo partido político tem o legítimo direito de almejar o poder e para
tanto deve estar preparado. Infelizmente não foi o que aconteceu com o PT
(Partido dos Trabalhadores). A história recente dos seus principais
expoentes - Zé Dirceu, José Genoino, Delúbio Soares, Sílvio Pereira, Marcos
Valério, et caterva - à frente o presidente Lula, evidenciou o mal por eles
causado ao Brasil no jogo sujo da busca e uso do dinheiro que deveria ter
sido empregado na solução de problemas sociais dos mais humildes.

Salário mínimo do trabalhador "capaz de atender às suas necessidades
vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação,
saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com
reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo", conforme
preceitua a Constituição Federal, é uma piada de mau gosto. E dizem que
temos uma Democracia onde reina o "império da lei"... Reformas da
Previdência são anunciadas, mas somente os malefícios decorrentes são
sentidos pela população, em particular pelos aposentados e pelos servidores
públicos. Até o fim do 13o. salário tem o seu projeto caminhando,
sorrateiramente, na Câmara dos Deputados...

Enquanto isso os bancos apresentam lucros anuais jamais vistos em nossa
história, certamente conseqüência dos juros estratosféricos estabelecidos
pelo Ministério da Fazenda; o MST, mesmo afrontando, reiteradamente, a ordem
e direitos constitucionais, é financiado pelo Governo, e a VARIG, marco de
nossa aviação, luta para não falir e não desempregar milhares de
brasileiros. Não importa se é ela que traz remédios do exterior, que não
existem no Brasil, para tratamento de casos graves e contínuos, sem nada
cobrar pelo serviço, embora seja esta uma obrigação constitucional do
governo!

Que dizer do governo Lula emprestar milhões de dólares para que seu
amigo Hugo Chavez construísse um metrô na Venezuela, além de, conforme
noticiado, outros milhões para a Bolívia construir estrada e mais para o
ditador amigo Fidel Castro realizar obras em Cuba ganhando ainda o perdão
de sua dívida para com o Brasil da mesma forma como alguns países africanos
tiveram anistiado o pagamento de cerca de 700 milhões de dólares ?

E quem não se recorda da compra de um luxuoso avião presidencial a um
custo superior a 50 milhões de dólares?

Para evidenciar ainda mais a abundância de recursos públicos mal
empregados faz-se oportuno registrar o que disse, segundo o jornal O GLOBO,
de 05/02/06, o presidente da "Comissão dos Atingidos por Atos
Institucionais", José Wilson da Silva, ao referir-se à dinheirama que há
anos vem sendo generosamente distribuída a velhos companheiros: "Sabemos que
há altas indenizações, que os problemas do Brasil são imensos, mas não falta
dinheiro para os valeriodutos da vida. O Governo tem que cumprir a lei. Ou,
então, que feche o Congresso". É esse insuspeito fogo amigo que acentua "não
falta dinheiro para os valeriodutos da vida" e insinua até o "fechamento do
Congresso" ao estilo dos democratas do PT...

Apesar dessa busca incessante de mais recursos, é imperativo registrar
as milionárias indenizações e pensões mensais vitalícias que vêm sendo
ininterruptamente pagas aos novos marajás fabricados pelo governo do PT, sob
a justificativa de se tratar de supostas vítimas políticas, embora se
desconheça algo semelhante, em termos de generosidade, em qualquer outro
país! De uma extensa lista constante nos anais da Comissão de Anistia, do
Ministério da Justiça, acessível pela internet, é suficiente citar apenas
alguns dos novos milionários cujos processos já foram julgados: 1)
Contemplados com indenizações superiores a R$3 milhões e pensões mensais
vitalícias, isentas de imposto de renda, acima de R$18.000.00: Sérgio da
Silva Del Nero e Denis Toledo Martins; 2) Com indenizações superiores a R$2
milhões e pensões mensais situadas entre R$18.000,00 e R$19.200,00: Romeu
Rodrigues da Veiga Filho, Fernando Pereira Christino, Carlos Alberto Ramos
Júlio, Jorge Cristiano Pinheiro Reis, José Carlos Valle de Lima (pensão de
R$11.406,28) e o conhecido jornalista Carlos Heitor Cony (R$1.417.072,75 de
indenização e R$19.115,19 de pensão mensal)!. O rol dos contemplados é muito
grande, acarretando despesas que já estão na casa dos BILHÕES de reais, e
tende a crescer pelas investidas, que não cessam, de espertos interessados
nesse fácil enriquecimento às custas do dinheiro desviado dos mais
necessitados. Trata-se de um acinte ao bom senso, que envergonha antes de
honrar os beneficiados!

Enquanto isso acontece, é triste e revoltante constatar a situação
precária de nossas estradas, de nossos hospitais, de nossas escolas e
universidades e de nossa segurança pública, naturalmente reflexo da miopia e
do despreparo para governar do nosso deslumbrado presidente, o qual,
recentemente, ousou dizer que "o atendimento médico prestado pelo SUS está
próximo da perfeição"! Como é ano de eleição não há de faltar tapeação...

O mais lamentável é ver uma parcela ponderável de brasileiros alheia a
tudo isso, não por falta de caráter, tão ausente nos governantes, mas,
certamente, como decorrência de políticas públicas que parecem querê-la
mantida amortecida à custa de esmolas.

E você, o que acha?

Um comentário:

Oscar disse...

13o. SALÁRIO EM CONTATO

Notícia sobre fim do 13o. Salário é falsa!
Volta e meia circula na internet uma “informação” que desinforma. Trata-se de mensagem eletrônica que diz que o Governo quer acabar com o 13º salário. A notícia é falsa.

A proposição que mais se aproximava disso, o PL nº 5.483/01, enviado ao Congresso pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, tinha por finalidade flexibilizar a CLT, mediante modificação no artigo 618, para permitir a prevalência do negociado sobre o legislado.

Ou seja, o projeto autorizava que a negociação coletiva pudesse reduzir ou eliminar direitos trabalhistas. Mas aquele projeto, que já havia sido aprovado na Câmara e aguardava votação conclusiva no Senado, foi retirado de tramitação pelo Governo Luiz Inácio Lula da Silva logo no primeiro ano do mandato.

O projeto, elaborado na gestão do ex-ministro do Trabalho e Emprego, deputado Francisco Dornelles (PP/RJ), apesar da grande resistência do movimento sindical e da luta do então deputado e atual senador Paulo Paim (PT/RS), foi aprovado na Câmara e enviado para apreciação do Senado. Nessa Casa, a matéria ainda chegou a tramitar sob o número de PLC 134/01.

A resistência e combate ao projeto na Comissão de Trabalho da Câmara foram implacáveis; ao ponto de a matéria não ser aprovada na comissão. O que obrigou o presidente da Câmara à época, deputado Aécio Neves (PSDB/MG), a avocar o projeto para votação diretamente no plenário da Casa.

Entretanto, o presidente Lula, que havia assumido o compromisso de sustar a tramitação desse projeto, enviou a Mensagem nº 78/03, pedindo o arquivamento do PLC nº 134/01. Assim, em sessão do dia 10 de abril de 2003, a mensagem foi lida e aprovada pelo plenário do Senado, sendo o projeto definitivamente arquivado.

O Senado Federal, por intermédio do Oficio nº 594, de 08/05/03, endereçado ao Ministro de Estado Chefe da Casa Civil da Presidência da República, encaminhou a Mensagem nº 60/03 (SF), ao Excelentíssimo Senhor Presidente da República participando o arquivamento do Projeto de Lei da Câmara nº 134/01.
Texto retirado de http://www.sinsesp.com.br/emcontato_0511.htm