quinta-feira, 13 de julho de 2006

Artigo

PARABÉNS, PARAGUAI!
Paulo C. Barreto

O Brasil se curva diante da Venezuela e não aprende com o Paraguai. Os camaradas de Brasília aceitam numa boa o ingresso da Venezuela no Mercosul. Até as pedras do Palácio de Miraflores encontram aí uma razão de governo, não de Estado. O presidente do Paraguai, Nicanor Duarte, diz que o novo membro pode transformar o mercado comum sul-americano em "fórum para maniqueísmo político ou para a exacerbação de confrontos ideológicos ou dogmáticos".

Bondade diplomática. Para Hugo Chávez engolir o que resta do Mercosul, é só uma questão de tempo. Excelente ocasião para o Paraguai cumprir sua ameaça e retirar-se do Mercosul. Que não tema o prejuízo, desembarque logo dessa embrulhada de irmãos/hermanos e siga seu próprio rumo.

Notem bem: é o Paraguai, primo pobre do Mercosul, nosso vizinho historicamente mais incompreendido. A falta de paciência com o Mercosul já é tão clamorosa que chega a um palácio presidencial. O país de Nicanor Duarte quer fatos, não afagos. Não agüenta mais ser "recompensado" em sorrisinhos hipócritas e discursinhos reconfortantes naquelas cúpulas em que Brasil e Argentina realimentam o protecionismo de sempre. Não era, entre outras coisas, para se opor ao protecionismo dos "ricos" que um dia criaram o Mercosul?

Pois o Paraguai se cansou de fazer aquele papel de republiqueta miserável tão ao gosto de certos "ociólogos". Qualquer país-membro tem que pedir licença ao Mercosul para fazer acordos bilaterais com outros países (se o protecionismo do andar de cima é tão cruel assim, não precisavam inventar barreiras). O Uruguai quer um com os Estados Unidos. Olha para fora porque a paisagem interna é nebulosa. Não consegue se entender com a Argentina por causa de duas fábricas de papel. Um Mercosul bem azeitado, não a Corte Internacional de Haia, teria feito encerrar a "guerra da celulose" sem demora. O Mercosul zela para isolar seus membros do mundo lá fora sem conseguir integrá-los efetivamente uns aos outros.

O Paraguai tem consciência de que desembarcar do Mercosul será um ato de coragem, não um passeio. Sozinho, seu poder de negociação é pequeno. Não que as alternativas sejam exatamente animadoras. Por acaso o Paraguai ganhou voz amarrado aos outros? Que a posição questionadora daquele país sirva de lição ao Brasil, que segue sustentando um bloco em ruínas em troca do incompreensível, do imponderável, do irresponsável.

Não fosse a diplomacia "aparelhada", como a aceitação da Venezuela há de provar, ou o estranho poder hipnótico do olhar de Kirchner sobre as decisões de Lula, o Brasil mandaria o Mercosul sair da frente e assinaria seus próprios acordos de comércio com quem oferecesse as melhores oportunidades. Tem peso econômico para fazê-lo sozinho. E quem tivesse juízo que o acompanhasse. Então, sim, poderíamos enxergar um fiapo de razões de Estado acima do lamaçal terceiro-mundista.

Como dizia Roberto Jefferson a José Dirceu: saia já daí, Paraguai. Que o Brasil seja o próximo, puxando o Uruguai para fora da roubada. E que Chávez e Kirchner inventem alguma atividade de lazer para o clubinho remanescente.

2 comentários:

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